Os monitores de Turismo de 2012 têm o prazer de continuar com o blog, que foi uma ideia inspiradora e que deve ser mantida. Por isso, mesmo com a greve, estaremos trazendo notícias do trade e do fenômeno turístico em si, pensando sempre na interdisciplinaridade.

- Jéssica Souza 17/08/2012


É com muito orgulho que os monitores do curso de Turismo do ano de 2011 darão continuidade à louvável iniciativa dos monitores do ano anterior. Que a monitoria do Turismo seja marcada pela qualidade, pela seriedade e pelo compromisso com o ensino.

- João Freitas 13/05/2011

Este blog se destina aos estudiosos, curiosos ou simplesmente simpatizantes do Turismo. Elaborado por nós, monitores do Curso de Turismo da Universidade Federal Fluminense, pretendemos com ele, levar você, leitor ao conhecimento dos eventos atuais no turismo e ainda te despertar para a análise da prática deste fenômeno, saindo do senso comum presente muitas vezes na teoria acadêmica, nos discursos políticos ou mesmo na "boca do povo".

Até de forma um pouco contraditória, te convidamos a parar um pouco para pensar sobre esta que é uma das atividades mais movimentadas e movimentadoras do mundo.

Não há nada mais agradável do que falar de viagens, não é mesmo? Então seja muito bem-vindo e vamos juntos monitorar o turismo!

- Aline Luz 22/09/2010

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Concurso Público da Embratur. Cadê o turismólogo?

Após quase sete meses de divulgação - e muita ansiedade - foi lançado na última segunda, dia 08 de novembro, o edital do primeiro concurso público da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo).

A Embratur é a autarquia especial do Ministério do Turismo responsável pela execução da Política Nacional de Turismo no que diz respeito à promoção, marketing e apoio à comercialização dos destinos, serviços e produtos turísticos brasileiros no mercado internacional. Teve sua atribuição direcionada exclusivamente para a promoção internacional a partir de 2003, com a criação do Ministério do Turismo.

Mas, por trás dessa boa notícia divulgada sobre o concurso, infelizmente há uma grande polêmica. Segundo o edital, serão disponibilizadas 35 vagas para o cargo de técnico especializado.

Provavelmente, vocês, leitores, estão agora se perguntando: técnico especializado em quê? Turismo? Bem, se esse ‘especializado’ estiver relacionado à especialização acadêmica do candidato, posso te responder: técnico especializado em qualquer coisa!

Diante da boa notícia do primeiro concurso, fica a indignação pela não destinação das vagas aos bacharéis em Turismo. O Instituto disponibilizará 35 vagas para Técnico Especializado com nível superior, sem definição de atribuição na portaria.

Antes de sair o edital, já tinha ouvido boatos e lido diversos protestos na internet. Pensava “será que realmente a Embratur não iria dedicar suas primeiras vagas de concurso aos turismólogos?” e não conseguia acreditar. Tente pesquisar no Google as palavras-chave: concurso – Embratur – turismólogo. Você verá muitos resultados: sites cheios de depoimentos dos bacharéis em turismo – e por que não dizer, turismólogos – completamente indignados com o descaso do Governo. Eles se perguntam: Se nem a Embratur e o Ministério do Turismo (que também abriu concurso recentemente, sem vagas destinadas a turismólogos) valorizam esses profissionais, quem o fará? E um ainda mais revoltado com a situação escreveu: “Acho que eu deveria ter feito engenharia, quem sabe assim eu conseguiria trabalhar com turismo”.

A alegação de muitos para a inexistência da destinação de vagas aos bacharéis em turismo é a – ainda - não regulamentação da profissão. Sabemos que a profissão “turismólogo” não é regulamentada, mas isso não impediu que outros concursos públicos fossem direcionados a este profissional. E ainda que este 'termo' não fosse usado, a exigência de nível superior completo em turismo poderia ser um requisito para os candidatos.

Mas, caro colega, nem isso foi solicitado! Para os cargos mais parecidos com a nossa futura profissão, o tal técnico especializado, é exigido nível superior em qualquer área de conhecimento! Pelo visto, o turismólogo que comentou no site está correto. Talvez se ele fosse um engenheiro, sem conhecimento algum sobre o fenômeno turístico, poderia obter ótima nota no concurso e assumir um cargo de supervisão dentro da Embratur!

Para os outros cargos abertos, como administrador e economista, é exigido ensino superior completo em sua área. Nada mais certo: para trabalhar na Diretoria de Administração e Finanças da Instituição, é completamente lógico que se exija pessoas formadas em administração e economia. Mas por que para trabalhar com a promoção e comercialização dos produtos, serviços e destinos turísticos do País não é exigido que o candidato seja formado em turismo?!

Ainda preciso ressaltar, para minha maior indignação, que segundo o site oficial do Ministério, o objetivo principal destes concursos é construir um quadro de servidores reforçado e adequado para os futuros desafios do País, como a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Será que um médico que passe neste concurso estará mais preparado e será mais adequado que um bacharel em Turismo, que passou anos estudando o fenômeno e o mercado turísticos?

De qualquer forma, para quem se interessar, as inscrições começaram ontem e vão até o dia 20 de dezembro. Abaixo, o link para o edital:

http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/noticias/todas_noticias/Noticias_download/Edital_-_embratur.pdf

Boa sorte! E que nós possamos fazer a diferença!



Referências:

http://www.turismo.gov.br/turismo/noticias/todas_noticias/20101105-6.html

http://www.turismo.gov.br/turismo/o_ministerio/embratur/

http://www.concursos-abertos.org/concurso-do-ministerio-do-turismo-2010/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Brazil is Calling You

Para um destino turístico ser bem sucedido, é preciso atrair, atender bem e gerar uma repercussão positiva para o turista. Assim, as estratégias de marketing são fundamentais ao se falar em gestão de um destino. A figura abaixo, elaborada por Petrocchi, mostra as etapas de comunicação de um Destino Turístico.

ETAPAS DE COMUNICAÇÃO DO DESTINO DE TURISMO (COM BASE NO CONCEITO AIDA)

As estratégias devem ser estabelecidas para cada mercado emissor selecionado

Informar sobre a existência do destino;

Fazer compreender/ posicionar o destino;

Motivar. Despertar o desejo da visita;

Induzir a compra dos pacotes turísticos;

Repetir a visita e recomendar a terceiros.

Fonte: PETROCCHI, Mario. Turismo: planejamento e gestão. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 284

De acordo com Petrocchi, “a promoção do destino deve ser alinhada às estratégias de marketing estabelecidas no planejamento estratégico, como a seleção de mercados geográficos, o destaque das vantagens diferenciais e a divulgação dos produtos do destino.” (2009, p. 285)

Pensando na Copa do Mundo 2014, a EMBRATUR lançou o canal Visit Brazil no Youtube com vários vídeos promocionais para divulgar o país. Ao fim da última Copa foi apresentado o vídeo “Brazil is calling you”. Vale a pena conferir:

O posicionamento de mercado e a divulgação da marca são aspectos importantes no planejamento de um destino turístico. Espera-se, entretanto, que o sucesso da marca e da imagem do país vá além de campanhas publicitárias (área em que temos méritos reconhecidos) e que não corramos o risco de oferecer um produto além da nossa realidade.

Ressalta-se que “durante a permanência no destino, o visitante buscará confirmar as expectativas criadas pelas mensagens promocionais que recebeu. As promessas de satisfação e as horas da verdade representam um ciclo de relações entre o destino e o turista” (PETROCCHI, 2009, p. 285). O que se espera é que as expectativas criadas por essas imagens sejam atendidas e que o turista, além de conhecer belos cenários, conte também com uma infraestrutura adequada e serviços de qualidade para que viva uma boa experiência no país.


Fonte: PETROCCHI, Mario. Turismo: planejamento e gestão. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

39 anos de Fungetur

Aprovado a partir do Decreto-Lei nº 1.191 de 27 de outubro de 1971, o Fundo Geral do Turismo (Fungetur) tem como finalidade financiar a ampliação, modernização e reforma de empreendimentos turísticos diversos, como hotéis, pousadas, centros de convenções, parques temáticos, ou seja, é uma fonte de recursos bastante útil e que impulsiona o setor turístico nacional.

Contudo, nem sempre foi assim. À época em que foi criado, durante o período da Ditadura Militar, o então presidente Médici não visava o pleno desenvolvimento do turismo no país apenas. Pelo menos não como forma de gerar riquezas, ou diminuir as desigualdades sociais. Inicialmente essa linha de financiamento surgiu, assim como a EMBRATUR em 1966 e a Infraero em 1972, em um contexto no qual a Ditadura Militar lutava para desviar o foco das atrocidades cometidas pelo regime.

O fomento ao turismo nesse período trouxe à luz as belezas naturais cênicas encontradas no país, a promoção da sensualidade da mulher brasileira e a magia do carnaval. Apelos que serviram para amenizar a forte opinião pública negativa que se formava internacionalmente, tendo em vista as privações de liberdades, perseguições e torturas praticadas pela ditadura.

Tamanha utilização política da EMBRATUR, aliada às linhas de crédito fornecidas pelo Fungetur e os incentivos fiscais, ocasionou um boom não só na construção de novos hotéis e pousadas, mas também na vinda de redes e bandeiras internacionais para o Brasil.

Uma grande mudança que observamos no Fungetur portanto, é que no início ele visava financiar mais especificamente a construção de novos meios de hospedagem, ao passo que hoje está mais direcionado à modernização e reforma de hotéis e demais estabelecimentos turísticos, já em funcionamento por pelo menos 3 anos, ou seja, não serve mais para novos empreendimentos.



Ao contratar qualquer tipo de financiamento de um banco, o hoteleiro-empresário estará se endividando, ou seja, a estrutura de capital do seu hotel, que inicialmente era formada por 100% de Capital Próprio, agora começa a ser composta também por capital de terceiros. A composição do capital passa a ser mista e, neste momento, ele acaba de adquirir um credor, no caso o banco.

Como sabemos, não é ruim para uma empresa se endividar. As dívidas de longo prazo, como é o caso de um empréstimo no banco, contribuem para a alavancagem financeira de uma empresa. Ou seja, permite que o proprietário tenha a capacidade de financiar seus projetos internos sem a necessidade de haver dinheiro em caixa ou recursos próprios, potencializando assim, a margem de lucro do empreendimento.

Além disso, o custo do financiamento do capital de terceiros é geralmente menor do que o financiamento via capital próprio, já que permite a redução no valor do imposto devido, sempre motivo de preocupação para qualquer dono de estabelecimento comercial. Uma vez que os juros pagos aos credores são descontados do LAJI (Lucro Antes dos Juros e Impostos) para se chegar ao Lucro Tributável, quanto maior o valor desses juros, menor é o Lucro Tributável, o que consequentemente produzirá um valor menor de Imposto Devido.

No caso do Fungetur, além de gerar essa vantagem, o próprio Decreto-Lei que o criou já previa abatimentos do Imposto de Renda por até 10 anos, como forma de estimular ainda mais a implantação de novos hotéis no país. Essa vantagem extra só foi possível, é claro, uma vez que estamos falando de uma deliberação do Governo Federal. Um banco particular, por exemplo, no máximo conseguiria oferecer taxas de juros mais vantajosas em relação àquelas dos seus concorrentes.

Evidentemente, as vantagens ocasionadas pelo endividamento não devem ser encaradas como motivo para que uma empresa se descuide e contraia dívidas de maneira indiscriminada. Os benefícios da alavancagem financeira só podem ser bem aproveitados a partir de uma boa gestão das finanças da empresa, tanto do ponto de vista do longo prazo, quanto do curto prazo.

Acesse aqui o Decreto-Lei de criação do Fungetur

Referências:

Caixa Econômica Federal - site

DOS SANTOS FILHO, João. EMBRATUR, da euforia ao esquecimento: o retorno às raízes quando serviu à Ditadura Militar. Revista Espaço Acadêmico, nº35; Abril de 2004 -

DOS SANTOS FILHO, João. Ditadura militar utilizou a EMBRATUR para tentar ocultar a repressão, a tortura e o assassinato. Revista Espaço Acadêmico, nº84; Maio de 2008 –

ROSS, Stephen A., Randolph W. WESTERFIELD, Bradford D. JORDAN. Princípios de Administração Financeira. Editora Atlas, 2ª edição, 2002.