Os monitores de Turismo de 2012 têm o prazer de continuar com o blog, que foi uma ideia inspiradora e que deve ser mantida. Por isso, mesmo com a greve, estaremos trazendo notícias do trade e do fenômeno turístico em si, pensando sempre na interdisciplinaridade.

- Jéssica Souza 17/08/2012


É com muito orgulho que os monitores do curso de Turismo do ano de 2011 darão continuidade à louvável iniciativa dos monitores do ano anterior. Que a monitoria do Turismo seja marcada pela qualidade, pela seriedade e pelo compromisso com o ensino.

- João Freitas 13/05/2011

Este blog se destina aos estudiosos, curiosos ou simplesmente simpatizantes do Turismo. Elaborado por nós, monitores do Curso de Turismo da Universidade Federal Fluminense, pretendemos com ele, levar você, leitor ao conhecimento dos eventos atuais no turismo e ainda te despertar para a análise da prática deste fenômeno, saindo do senso comum presente muitas vezes na teoria acadêmica, nos discursos políticos ou mesmo na "boca do povo".

Até de forma um pouco contraditória, te convidamos a parar um pouco para pensar sobre esta que é uma das atividades mais movimentadas e movimentadoras do mundo.

Não há nada mais agradável do que falar de viagens, não é mesmo? Então seja muito bem-vindo e vamos juntos monitorar o turismo!

- Aline Luz 22/09/2010

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

T4F Entretenimento abre capital na bolsa de valores

A Time For Fun Entretenimento S.A. (T4F), maior empresa de entretenimento ao vivo da América do Sul e a 3ª maior do mundo em número de ingressos vendidos e performados em 2010, que trouxe atrações internacionais para o Brasil, como U2, Madonna e Coldplay abriu seu capital na bolsa de valores no dia 13 de abril deste ano.

O diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, parabenizou a T4F pela iniciativa, reforçando a importância de a sexta empresa a estrear na Bolsa em 2011 vir de um segmento novo para o mercado de capitais: o setor de produção de eventos.

A T4F pretendia aplicar 70% dos recursos arrecadados com a oferta primária em ativos permanentes como a aquisição de casas de espetáculos e empresas e construção de novas casas de espetáculo (20%).


Na última semana, dia 12 de maio, a T4F divulgou os primeiros resultados do primeiro trimestre de 2011 e a comparação com o primeiro trimestre de 2010. Duas demonstrações financeiras apresentadas pela empresa nós já estamos familiarizados, são elas o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício (DRE).










Com essas demonstrações financeiras somos capazes de descobrir alguns índices financeiros.

Os índices financeiros são ferramentas que possibilitam a comparação entre empresas diferentes em determinado período. Um índice importante para qualquer empresa é o retorno do capital próprio (ROE) que mede o desempenho do investimento dos acionistas durante o período. Uma vez que o objetivo de qualquer empresa é gerar lucro aos acionistas o ROE é a verdadeira medida de desempenho em termos de lucro.

O ROE pode ser decomposto em três elementos: eficiência operacional, eficiência no uso de ativos e alavancagem financeira, esta relação é chamada de Identidade Du Pont. No primeiro trimestre de 2011 o ROE da T4F foi de 0,008%. Um ROE baixo pode significar que a empresa está com dificuldades em termos de eficiência operacional ou no uso dos ativos, mas pode alavancá-lo por meio do aumento de seu endividamento. Neste caso, no entanto, não é possível saber qual é o desempenho real dos investimentos da empresa uma vez que os índices financeiros são ferramentas de comparação e, portanto só podem ser considerados baixos ou altos em relação aos que são apresentados por outras empresas do mesmo setor. Além disso, uma análise dos índices por um período maior de tempo é importante antes de tirarmos conclusões acerca do comportamento da empresa.

Relacionando as demonstrações financeiras do primeiro trimestre de 2010 e 2011, a T4F avaliou também a variação do seu lucro líquido, do capital de giro, e de seu patrimônio líquido. Vale a pena ver na integra!

http://ri.t4f.com.br/timeforfun/web/arquivos/T4F_Resultados_1T11_Portugues.pdf

Como calcular o ROE ?

a)O giro do ativo total é uma medida de gestão de ativos que descreve quão eficiente ou intensivamente a empresa utiliza seus ativos para gerar vendas.

Giro do = __Vendas___
Ativo total Ativo total

Giro do = __82,1____ = 0,16 vezes
Ativo total 520,7

Isto que dizer que para cada real de ativos, geramos 16 centavos de vendas.

b) A margem de lucro é uma medida de rentabilidade que descreve o quão eficiente a empresa utiliza seus ativos para gerar lucro.
Margem de lucro = Lucro líquido
Vendas
Margem de lucro = ___0,9___ = 0,01 %
82,1

Em outras palavras, para cada real de venda a T4F gerou 0,01 real de lucro.


c) O multiplicador de capital próprio diz respeito ao grau de alavancagem financeira, isto é seu nível de endividamento.

Multiplicador de = _____Ativo______
Capital próprio Patrimônio líquido

Multiplicador de = __520,7_ = 4,97 vezes
Capital próprio 104,7

d) o ROE pela Identidade Du Pont?
ROE = 0,01 x 0,16 x 4,97
ROE = 0,008 %

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Palestra Finanças Pessoais - Bovespa

No último dia 20 de outubro tivemos a presença do palestrante Mauro Salerma, da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que falou com os alunos de Gestão Financeira sobre o tema Finanças Pessoais.

Dentre os assuntos abordados, o professor Mauro destacou a importância da poupança e do planejamento financeiro para o profissional de qualquer área. Frisou que a Educação Financeira, diferentemente da Educação Formal que se aprende nas escolas e universidades, ainda é muito negligenciada até mesmo por profissionais de alta qualificação. Muitas vezes, mesmo com um alto salário, o profissional não consegue administrar bem suas contas e suas dívidas, e acaba refém dos altos juros e de outras despesas desnecessárias, que consomem por inteiro o resultado de um mês de trabalho duro.

Algumas questões apontadas pelo palestrante foram o consumismo desmedido na sociedade que vivemos, além da facilidade que o “dinheiro de plástico” (cartões de crédito) proporciona, permitindo que pessoas gastem hoje uma quantia que elas ainda não possuem. Como forma de minimizar esses impactos, Mauro sugere uma autoreflexão composta por três perguntas básicas que devem ser feitas na eminência da compra de determinado bem ou serviço: 1- “Eu preciso?”, 2-“Eu posso?” e 3-“Tem que ser agora?”; questionamentos que segundo o profissional de finanças, podem evitar muitos gastos desnecessários gerados pelo impulso do consumismo.

O professor apresentou ainda os investimentos no Mercado de Ações como uma forma viável de complementação de renda, para pessoas dispostas a assumir certo grau de risco, além ainda, da possibilidade de investir em títulos da Dívida Pública, que são mais seguros, ideal para investidores mais conservadores.

A contribuição do professor Mauro foi muito significativa, em especial aos alunos de GF2 que começam a estudar o Mercado Financeiro, pois nos permitiu observá-lo por um outro lado, ou seja, sob o ponto de vista do investidor individual. Enquanto estudamos em sala as Finanças Corporativas, que nada mais são do que as empresas recorrendo ao Mercado Financeiro para captar recursos que financiem seus investimentos, a palestra da Bovespa nos permitiu analisar como essa dinâmica funciona na “outra ponta”, ou seja, o investidor em busca das ações mais rentáveis negociadas na Bolsa, como forma de complementar sua renda pessoal.

Outra contribuição muito valiosa para o Turismo é perceber o quanto nós, que trabalhamos nesta área, somos dependentes de que as pessoas tenham uma grande preocupação com suas Finanças Pessoais. Conforme já abordado anteriormente neste blog, o Turismo, segundo Maslow, não se encontra entre as necessidades básicas do Homem, sendo, por esse motivo, uma das primeiras despesas cortadas pelas famílias quando o orçamento aperta.

E aí, vamos poupar?

Referências:

Cursos Bovespa

MASLOW, Abraham H. A theory of Human Motivation. 1943. Disponível aqui.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Diferenciando Credor de Acionista

Sabemos que quando uma empresa ou uma entidade precisam financiar seus projetos internos, elas recorrem ao Mercado Financeiro, já que é lá que ocorre o encontro entre os que necessitam de recursos financeiros (as empresas) e os que possuem (investidores).

Uma empresa pode emitir dois tipos de títulos para se capitalizar: títulos da dívida e títulos de propriedade. Em virtude disso, dentre os investidores que os compram, destacam-se dois grupos distintos, os credores e os acionistas.

O investidor que empresta dinheiro se torna credor da dívida da empresa, e esta passa a dever para ele o valor igual ao que foi emprestado, acrescido de um valor a mais, pago periodicamente, que são os juros. Esta obrigação possui uma taxa pré fixada, e o valor dos juros pagos a cada período não varia.

Quando um investidor prefere comprar uma ação, ele se torna um acionista ou dono da empresa, pelo menos de uma fração bem pequena dela. A este não cabe a devolução do valor investido, mas sim uma remuneração residual ao final de cada exercício, chamada dividendo. Diferente dos juros que são fixos, os dividendos são uma forma de remuneração variável e que está condicionada ao desempenho da empresa em determinado período, além de sua política de distribuição de dividendos. Em geral, a empresa só distribui dividendos nos exercícios em que conseguiu saldo positivo, daí dizermos que o acionista tem direito ao valor residual da empresa.

Ao investirmos nosso dinheiro em um título, analisamos e comparamos a natureza dos investimentos sob três dimensões: risco x rentabilidade x liquidez. Dificilmente um título, seja de renda fixa (dívida) ou renda variável (propriedade), consegue contemplar os três quesitos. As dívidas, por exemplo, são investimentos de baixo risco, liquidez relativa, mas em geral não tão rentáveis quando comparadas às ações que, apesar do bom retorno, costumam ser de elevado risco e boa liquidez.

Continuação no próximo post

Ilustrando essa Diferença

Os dois exemplos que ilustrarão a diferença entre os dois tipos de títulos são as Dívidas Públicas e a recente Oferta Pública de Ações feita pela Petrobrás.

A União, a exemplo de qualquer empresa de capital aberto, por vezes pode necessitar de recursos imediatos para financiar determinado projeto no país, cujos custos ultrapassam a arrecadação de impostos no período. Sejam obras de melhoria de infraestrutura, construção de escolas, hospitais, etc.

Uma das formas de adquirir esses recursos é através da emissão de Títulos da Dívida Pública, que funciona da mesma forma que uma obrigação de empresa, com a diferença de que ao adquiri-la, o investidor estará se tornando credor do país. Esses títulos geralmente são tidos como os de menor risco no mercado, uma vez que para que a dívida não seja quitada é preciso, por exemplo, que a economia do país quebre, ou que um presidente radical, que seja a favor do não pagamento da Dívida Pública, assuma o poder. Ou seja, eventos não tão corriqueiros de uma forma geral.


Falando agora sobre os Títulos de Propriedade: A maior capitalização de uma empresa na história do Capitalismo, segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, foi a ocorrida no final do mês passado, após Oferta Pública de Ações, que rendeu à Petrobrás R$120 bilhões, apenas parte dos R$224 bilhões previstos para financiar seu plano de investimentos até 2014.

A descoberta do pré-sal no litoral sudeste-sul do país surgiu como uma oportunidade única na história da Petrobrás. Estima-se que haja o equivalente a 20 bilhões de barris de petróleo aguardando para serem extraídos a 7 mil metros abaixo do nível do mar. Tamanha profundidade da camada exige uma tecnologia muito mais desenvolvida do que as existentes até hoje, além de uma infinidade de técnicos, especialistas, engenheiros e pesquisadores que deverá se ocupar do desafio pelos próximos anos.

Ajudando a financiar tudo isso estão os milhares de novos acionistas da Petrobrás, que adquiriram seus títulos de propriedade da empresa, e que agora passarão a receber dividendos periódicos como remuneração pelo emprego de seu capital. Algumas variáveis que afetarão a rentabilidade deste investimento são: A oscilação do preço do barril de petróleo, a cotação do dólar, a ocorrência de um vazamento de óleo em alguma plataforma e os incentivos governamentais.

Sabemos da discussão que envolve a distribuição dos royalties advindos da exploração do pré-sal. As cidades aonde a atividade ocorre – costeiras, e por isso muitas com turismo de sol e praia – têm seu potencial comprometido graças à chegada da indústria petroleira, que além de modificar as paisagens sensivelmente, ainda põe em risco os atrativos naturais dessas cidades, espantando o turista de lazer. Seja qual for a distribuição a nível federal dos royalties, tudo o que realmente esperamos é que eles sejam bem aproveitados, e tragam grandes investimentos que se reflitam em melhorias na qualidade de vida da população.

Atenção: Essa postagem não é uma solicitação ou recomendação de investimento. Essa postagem possui finalidade meramente instrutiva.

Referências:

Comissão de Valores Mobiliários

Conheça o Tesouro Direto

Introdução ao Mercado de Capitais

Petrobrás - site Pré-sal

AMARAL, Rafael Quevedo do e OREIRO, José Luis. A relação entre o mercado de dívida pública e a política monetária no Brasil. Rev. econ. contemp. [online]. 2008, vol.12, n.3, pp. 491-517. ISSN 1415-9848.

Veja também

Notícia 1, Notícia 2, Notícia 3, Notícia 4

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

39 anos de Fungetur

Aprovado a partir do Decreto-Lei nº 1.191 de 27 de outubro de 1971, o Fundo Geral do Turismo (Fungetur) tem como finalidade financiar a ampliação, modernização e reforma de empreendimentos turísticos diversos, como hotéis, pousadas, centros de convenções, parques temáticos, ou seja, é uma fonte de recursos bastante útil e que impulsiona o setor turístico nacional.

Contudo, nem sempre foi assim. À época em que foi criado, durante o período da Ditadura Militar, o então presidente Médici não visava o pleno desenvolvimento do turismo no país apenas. Pelo menos não como forma de gerar riquezas, ou diminuir as desigualdades sociais. Inicialmente essa linha de financiamento surgiu, assim como a EMBRATUR em 1966 e a Infraero em 1972, em um contexto no qual a Ditadura Militar lutava para desviar o foco das atrocidades cometidas pelo regime.

O fomento ao turismo nesse período trouxe à luz as belezas naturais cênicas encontradas no país, a promoção da sensualidade da mulher brasileira e a magia do carnaval. Apelos que serviram para amenizar a forte opinião pública negativa que se formava internacionalmente, tendo em vista as privações de liberdades, perseguições e torturas praticadas pela ditadura.

Tamanha utilização política da EMBRATUR, aliada às linhas de crédito fornecidas pelo Fungetur e os incentivos fiscais, ocasionou um boom não só na construção de novos hotéis e pousadas, mas também na vinda de redes e bandeiras internacionais para o Brasil.

Uma grande mudança que observamos no Fungetur portanto, é que no início ele visava financiar mais especificamente a construção de novos meios de hospedagem, ao passo que hoje está mais direcionado à modernização e reforma de hotéis e demais estabelecimentos turísticos, já em funcionamento por pelo menos 3 anos, ou seja, não serve mais para novos empreendimentos.



Ao contratar qualquer tipo de financiamento de um banco, o hoteleiro-empresário estará se endividando, ou seja, a estrutura de capital do seu hotel, que inicialmente era formada por 100% de Capital Próprio, agora começa a ser composta também por capital de terceiros. A composição do capital passa a ser mista e, neste momento, ele acaba de adquirir um credor, no caso o banco.

Como sabemos, não é ruim para uma empresa se endividar. As dívidas de longo prazo, como é o caso de um empréstimo no banco, contribuem para a alavancagem financeira de uma empresa. Ou seja, permite que o proprietário tenha a capacidade de financiar seus projetos internos sem a necessidade de haver dinheiro em caixa ou recursos próprios, potencializando assim, a margem de lucro do empreendimento.

Além disso, o custo do financiamento do capital de terceiros é geralmente menor do que o financiamento via capital próprio, já que permite a redução no valor do imposto devido, sempre motivo de preocupação para qualquer dono de estabelecimento comercial. Uma vez que os juros pagos aos credores são descontados do LAJI (Lucro Antes dos Juros e Impostos) para se chegar ao Lucro Tributável, quanto maior o valor desses juros, menor é o Lucro Tributável, o que consequentemente produzirá um valor menor de Imposto Devido.

No caso do Fungetur, além de gerar essa vantagem, o próprio Decreto-Lei que o criou já previa abatimentos do Imposto de Renda por até 10 anos, como forma de estimular ainda mais a implantação de novos hotéis no país. Essa vantagem extra só foi possível, é claro, uma vez que estamos falando de uma deliberação do Governo Federal. Um banco particular, por exemplo, no máximo conseguiria oferecer taxas de juros mais vantajosas em relação àquelas dos seus concorrentes.

Evidentemente, as vantagens ocasionadas pelo endividamento não devem ser encaradas como motivo para que uma empresa se descuide e contraia dívidas de maneira indiscriminada. Os benefícios da alavancagem financeira só podem ser bem aproveitados a partir de uma boa gestão das finanças da empresa, tanto do ponto de vista do longo prazo, quanto do curto prazo.

Acesse aqui o Decreto-Lei de criação do Fungetur

Referências:

Caixa Econômica Federal - site

DOS SANTOS FILHO, João. EMBRATUR, da euforia ao esquecimento: o retorno às raízes quando serviu à Ditadura Militar. Revista Espaço Acadêmico, nº35; Abril de 2004 -

DOS SANTOS FILHO, João. Ditadura militar utilizou a EMBRATUR para tentar ocultar a repressão, a tortura e o assassinato. Revista Espaço Acadêmico, nº84; Maio de 2008 –

ROSS, Stephen A., Randolph W. WESTERFIELD, Bradford D. JORDAN. Princípios de Administração Financeira. Editora Atlas, 2ª edição, 2002.